Tema: A Relação educativa na
idade de igualdade, Alain Renaut: O fim da autoridade, capítulo 3.
RESUMO:
Neste
capítulo Renaut preocupa-se com a relação educativa nas sociedades
contemporâneas, sociedades que “igualdade” é palavra chave para todos os sectores
em que o poder se exerce. Assim diz Renaut:
“um dos problemas mais complexos das sociedades
contemporâneas é assim o de saber como conservar ou voltar a dar consistência
aos poderes que se devem exercer hoje em dia, cada vez mais, de igual para
igual, entre seres humanos proclamados como livres e iguais em direitos”
(RENAUT, 2004:103).
Esta
e outras questões semelhantes obrigaram os poderes ( sobretudo o educativo) a
encontrar novos caminhos para ultrapassar o problema acima colocado. Não
encontrados, a sua autoridade deve obdecer sem escolha duas alternativas: “ou aceitar sem limites a sua fragilização
ao ponto de se dissolver, ou a não encontrar como meio de se reforçar nada a
não ser o recurso a modos de dominação autoritários”.(ibid).
Colocadas
as questões face à crise de autoridade que se instalou na era democrática,
Hannah Arendt, citado por Renaut, o seu principal convidado neste debate,
avança em 1960 com a primeira denúncia da origem de uma “crise da educação”.
Nesta
reflexão, Arendt estabelece um paralelismo entre a dinâmica da igualização e a
crise da autoridade, crise que na esfera educativa explica-se pela tentativa de
apagar cada vez mais a diferença, tanto entre professores e alunos, pais e
filhos como entre os próprios alunos ou filhos. É neste contexto que se coloca
a questão mais profunda e central deste debate: “como conceber e sobretudo praticar a relação educativa numa cultura
atravessada a esse ponto por uma dinâmica da igualização que faz aparecer o
outro, toda a espécie de ‘outro’ como um outro eu, logo como um igual?” (id.104)
De
referir que o “outro” que Renaut aqui trata é a criança, é o “pequeno homem”.
Que para o autor, na tentativa de libertá-la, pois encontrava-se, digamos sob
dominação do adulto, promulgando ou promovendo “os direitos das crianças”, por
um lado os efeitos vêm sendo perversos e por outro lado, em nome da
emancipação, vem se constituindo um mundo autónomo da infância que no fundo
acaba colocando as crianças numa situação pior do que era. Por outras palavras
podemos dizer que, aquilo que parecia emancipação, escondia na verdade uma nova
forma de tirania ou de despotismo.
Mais
radicalizada a questão sobre a dinâmica da igualização levantada por Arendt,
dinâmica que nos ilude, pois parece os “pequenos homens” terem atingido a sua
autonomia e capacidade para “se governarem sozinhos” e por isso mesmo “banidos
do mundo dos adultos”, mas na verdade estes estão agora mais do que nunca
entregues a si próprios ou entregues à tirania do seu grupo, ficando neste caso
à deriva, sem fonte de inspiração.
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